Cotidiano

Um dia na Vida do Monge

 

Antes do sol nascer, um dos monges percorre os corredores do mosteiro, acordando os irmãos. Todos se preparam e dirigem-se para a Igreja. Os sinos tocam, chamando a comunidade para o louvor divino.

 

A primeira prece é um pedido para que Deus abra os lábios do monge para anunciar o seu louvor. Em seguida, canta-se o Salmo Invitatório, que chama a comunidade monástica a “exultar e cantar de alegria, aclamando o Senhor, Rocha que nos salva” (Salmo 90). Segue-se um hino de louvor a Deus e os Salmos do Ofício das Leituras (Vigílias), Leituras da Sagrada Escritura e dos Escritores Eclesiásticos. Em seguida, a Salmodia de Laudes (Oração da Manhã), o Hino “Benedictus” (Lc 1,68-79), preces e a oração dominical (Pai Nosso).

 

Depois inicia-se a Eucaristia, cantada em melodias simples e com cantos gregorianos. Terminada a Santa Missa, os monges tomam o café da manhã em silêncio. Aqueles que estudam (Filosofia e Teologia) saem para as aulas, os demais se entregam à Lectio Divina. Depois de uma hora de Lectio, os postulantes e noviços têm encontro com o Mestre, ou com outros monges que oferecem formação monástica a eles. As aulas do Postulantado e Noviciado incluem: Santa Regra, Espiritualidade Monástica, História Monástica, Salmos, Doutrina Católica e Música. Os irmãos que já terminaram a fase inicial de formação dedicam-se neste horário aos diversos trabalhos do mosteiro.

 

Perto do meio-dia, os sinos—a voz de Deus—chamam-nos novamente para o coro. Aí, depois de recitado o Angelus, as vozes se elevam novamente, cantando em louvor e ação de graças pela luz do dia e pelo Cristo, Luz de nossas vidas. Durante o almoço os irmãos partilham experiências e conhecimentos em conversa amena e fraterna, gozando então de breve período de descanso, ou atividades pessoais.

 

No início da tarde, todos saem para seus diversos ofícios. É o tempo de trabalho mais prolongado no mosteiro.

 

No final da tarde, reunidos na igreja, cantam as Vésperas (Oração da Tarde), agradecendo pelo dia que termina.

 

Dirigem-se, então, ao refeitório onde, ouvindo santas leituras, tomam o jantar em comunidade. Depois do jantar, lavam os pratos, e tem início um tempo de recreação comunitária, onde partilham, com descontração, os fatos do dia, ou alegram-se com uma boa conversa entre irmãos.

 

Novamente o sino toca e todos se dirigem ao Capítulo onde o superior dá avisos á comunidade reunida. Lê-se um trecho da Santa Regra, um comentário da mesma, pede-se perdão pelas faltas cometidas naquele dia. Dirigem-se então à Igreja onde, no coro, é cantado o Ofício de Completas (Oração da Noite). Ao final, vão, em procissão, até à imagem de nossa padroeira, Nossa Senhora do Desterro, canta-se uma antífona mariana e o prior dá a bênção. Reina, então, o grande silêncio noturno: tempo de mergulharmos no mistério da noite; tempo de oração e de descanso. Silêncio que reina na natureza à nossa volta e que nos convida a silenciar o coração. Silêncio que nos ensina sobre a morte e sobre a espera da ressurreição. Silêncio que será quebrado pelo sino, nas primeiras horas do outro dia, a não ser que o monge seja chamado, naquela noite, a ir encontrar, no céu, o Dia Eterno, na ressurreição com o Cristo.

 

Assim é o dia do monge: simples, marcado pelo louvor de Deus. Sabem eles que não têm aqui pátria definitiva, assim, seu olhar é voltado para a Pátria Eterna, a qual desejam e buscam e que um dia receberão das mãos de Deus.

 

Nos domingos e solenidades o horário é alterado um pouco. Nesses dias, celebram o louvor de Deus e a Eucaristia com mais solenidade e aproveitam para descansar, guardando tais dias como eles são: dias do Senhor. Nesses dias pode-se conversar durante as refeições.

 

Nas grandes festas litúrgicas, as Vigílias são solenes e celebradas na noite anterior. Nos domingos encerra-se as Vésperas com a Bênção do Santíssimo Sacramento.